SOLO-CIMENTO E ADOBE: COMPOSIÇÃO E DESEMPENHO
Resumen
Estratégias de mitigação e adaptação, as mudanças climáticas assumem como premissa a urgência em reavaliar o ambiente construído sob a ótica de seu impacto na biosfera e estimulam iniciativas voltadas à mensuração do impacto ambiental dos materiais construtivos e ao uso de sistemas de avaliação da sustentabilidade da arquitetura. Shuzo Murakami e Tashiharu Ikaga (2008) avaliaram nove tipologias residenciais, utilizando a metodologia CASBEE for Home (Detached House). O relatório Evaluating environmental performance of vernacular architecture through CASBEE evidencia que a arquitetura vernacular concatenou o ótimo desempenho térmico da terra com os benefícios do desenho solar passivo e, assim, durante séculos, respondeu exigências de conforto ambiental, nas mais variadas regiões do planeta.
A partir do início do século XX, estudos sobre a estabilização química da terra por meio da adição de materiais industrializados começaram a ser realizados. Verificou-se que as técnicas construtivas que melhor responderam a estabilização química por meio da adição de cimento foram as técnicas de terra compactada, tanto em forma de paredes monolíticas como em forma de tijolos maciços e blocos vazados. Contudo, a constatação de que o cimento é um material não reciclável e que seu uso representa 5% das emissões dos gases do efeito estufa (World Business Council For Sustainable Development, 2002) faz ressurgir uma série de outras novas abordagens sobre a necessidade ou não, da estabilização química da terra.
Este artigo tem como objetivo apresentar um breve panorama do que vem sendo divulgado sobre arquitetura de terra, tendo como recorte a prática da estabilização química por meio da adição de cimento Portland. Para sua elaboração, consultou-se a Standard guide for design of earthen wall building systems (ASTM-E2392M-10, 2010), a norma técnica [peruana] de edificación E.080 Adobe (NTE E.080) e as normas brasileiras sobre solo- imento.