USO DE ADITIVOS NATURAIS DE ORIGEM ANIMAL NA ARQUITETURA COLONIAL BRASILEIRA

  • Gabriel Rodrigues da Cunha Instituto Latino-americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território/UNILA – Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Brasil
  • Marcos Antonio dos Santos Curso de Arquitetura e Urbanismo, UFT – Universidade Federal do Tocantins - campus Palmas; Brasil

Resumen

O trabalho traça um panorama, por meio de pesquisa bibliográfica no campo da arquitetura, com auxílio do campo da história e da arqueologia, do uso de aditivos naturais de origem animal na arquitetura colonial brasileira especialmente nas paredes de terra, analisando a forma de obtenção, o uso e a função físico-química de cada aditivo (principalmente como impermeabilizante/hidrofugante ou aglutinante). É possível identificar, na literatura especializada, a utilização de aditivos naturais de origem animal, como a clara de ovo, o sangue bovino, a caseína do leite, a urina, o sebo, o óleo de peixes, o óleo de baleia, as fibras como pelos de ovelhas e crinas de cavalos. Neste trabalho, dedica-se a estudar um total de três aditivos naturais. Os primeiros são o óleo e a borra de baleia, cuja utilização e abrangência territorial é regiões mais suscetíveis à ação das águas (costeiras, ou em contato direto com a água do mar). Com relação ao segundo aditivo, o estrume ou o esterco de gado, a cultura de uso em edificações tem origem provável do continente africano e dado o baixo custo de seu aproveitamento é bem provável que tenha sido utilizado desde os primórdios da colonização, com a chegada dos escravos, apesar de não se ter acessado trabalhos que identificam precisamente o período e locais onde supostamente foram empregadas. Finalmente, o terceiro aditivo, o sangue bovino, apesar de evidentes vantagens técnicas hoje conhecidas das proteínas e dos efeitos da coagulação como agentes que melhoram a resistência e coesão de paredes de terra, é pouco provável que tenha tido uso significativo no período colonial, pois, o sangue bovino era tratado com efluente, e o suíno como alimento (choriço), sendo que a captação e a destinação deste efluente foi objeto de muitos conflitos sanitários nos grandes centros litorâneos. Evidencia-se, finalmente, a falta de sistematização do conhecimento sobre os aditivos naturais que pudesse dar mais certeza científica quanto à sua utilização nas edificações do período colonial.

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Publicado
2024-11-24
Cómo citar este artículo
Rodrigues da Cunha, G., & Santos, M. A. dos. (2024). USO DE ADITIVOS NATURAIS DE ORIGEM ANIMAL NA ARQUITETURA COLONIAL BRASILEIRA. Memorias Del Seminario Iberoamericano De Arquitectura Y Construcción Con Tierra - SIACOT, (22), 115-124. Recuperado a partir de https://revistas.udelar.edu.uy/OJS/index.php/msiacot/article/view/3028
Sección
Materiales y técnicas constructivas - Artículos Científicos